Serviços auxiliares de aeroportos esperam queda de 3% em 2017 e recuperação em 2018

Dependente da retomada da aviação civil brasileira, o desempenho das empresas de serviços auxiliares de transporte aéreo, as chamadas Esatas, devem fechar o ano com queda de 3% neste ano.

“Houve muito desconto e muitas empresas trabalhando no limite”, explica o diretor-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo (Abesata), Ricardo Aparecido Miguel.

De acordo com ele, além da redução no número de frequências de voos, questões como descontos agressivos, inadimplência e aumento de custos também prejudicaram o desempenho das companhias. “Às vezes os clientes demoram 90 dias para fazer o pagamento e não suportamos isso”, diz.

Na opinião do CEO da Dnata Brasil do Grupo Emirates, Ricardo Morrison, uma questão que pode ajudar nos resultados do setor é a adoção de medidas da nova legislação trabalhista, como a flexibilização na jornada de trabalho. O problema da aplicação da medida, para ele, é a insegurança jurídica. Por isso, para conseguir absorver este benefício a empresa deve aguardar a adoção das mudanças em convenção coletiva e a reação do judiciário frente nos próximos casos.

Já uma questão que pode prejudicar o setor é a possibilidade de reoneração da folha de pagamento em 2018. “O setor é de mão de obra intensiva e já tem margens apertadas. Se isso ocorrer o valor será repassado para as aéreas e consequentemente aos consumidores”, diz. Segundo com ele, o custo com mão de obra gira em torno de 80% e 82% das vendas líquidas da empresa.

Sem solução

Outro gargalo citado por Ricardo Miguel da Abesata é a administração dos aeroportos concedidos. De acordo com ele, com a entrada de administradores aeroportuários estrangeiros em alguns aeroportos, um problema recorrente é a mudança de regras operacionais e cobrança de taxas e áreas aeroportuárias. “Eles trazem modelos de seus países e não se adaptam ao nosso. Existe uma urgência por padronização de procedimentos”, diz.

Um problema citado por ele é o que ocorre no Aeroporto de Viracopos em Campinas (SP). De acordo com Miguel, quatro taxas adicionais começaram a ser cobradas em setembro de 2016, sendo elas paletização de cargas, permanência de equipamento de apoio operacional por hora/equipamento, inspeção de segurança raio-X e inspeção de segurança por passagem. “Estamos pagando em juízo, mas é um impasse porque o dinheiro uma hora acaba”, coloca Miguel apontando para a urgência de uma solução para esta questão. Ele estima que o depósito chegue a cerca de R$ 7 milhões.

A Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos S.A. afirmou em comunicado que “os preços implementados no final de 2016 para a utilização de equipamentos e espaços do terminal de cargas pela Esatas, foram fixados para ressarcir os investimentos do aeroporto com a infraestrutura disponível para a exploração comercial. Importante ressaltar que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), após avaliar as referidas cobranças, considerou que não houve irregularidades e ratificou que elas estão contempladas no contrato de concessão.”

Retomada

Para 2018, a Abesata espera alta de 4%, mas a recuperação do volume de serviços pré-crise ficará apenas para 2019, acredita Morrison, da Dnata. “Cerca de 90 aeronaves foram devolvidas pelas empresas nacionais. Isso é o equivalente a uma companhia aérea. A recuperação iniciou, mas será um processo”, destaca. Segundo ele, a Dnata Brasil teve alta de 5% da receita neste ano e a expectativa para 2018 é atingir entre 5,5% e 6%.

Fonte: DCI

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