Mesmo endividada, Avianca Brasil ganhou participação no mercado aéreo

Com o pedido de recuperação judicial formalizado, a Avianca Brasil enfrenta um quadro contraditório. A companhia, mesmo endividada, só conseguiu abocanhar uma fatia expressiva do mercado aéreo nos últimos anos – desde 2013, a participação da empresa dobrou. Entre janeiro e outubro de 2018, a Avianca Brasil transportou 10,265 milhões de passageiros e conseguiu 10,6% de participação do mercado, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em 2013, a fatia era de 5,3%.

Esse desempenho fez a Avianca se consolidar no posto de quarta maior companhia aérea do país. “Não me incomoda, é opção”, disse um dos fundadores da Avianca José Efromovich durante entrevista concedida ao G1 em 2013, ao ser questionado sobre a baixa participação da empresa no mercado nacional. “A Avianca é a que tem o melhor produto no país hoje. Falo isso com toda a tranquilidade.” A empresa sempre gostou de se diferenciar das rivais por operar na contramão da fórmula de “baixo custo, baixa tarifa”.

Com o irmão German, José comanda a holding Synerg, dona da Avianca Brasil. Em 1998, os dois operavam a Ocean Air Táxi Aéreo. A entrada no mercado nacional de aviação só aconteceu em 2002, quando procuravam uma nova aeronave para substituir um avião que foi metralhado durante um assalto em Campos, no Rio de Janeiro. Desde 2004, o grupo Synerg também controla a Avianca Holdings, cuja sede é na Colômbia. A Avianca Colômbia tem capital aberto na bolsa de Bogotá e, embora tenha o mesmo nome da brasileira, é um empresa diferente.

O nome Ocean Air só foi aposentado em 2010, numa movimentação que buscava integrar as duas companhias. “A mudança de nome não é cosmética, mas um gesto de afirmação, um passo fundamental para consolidar a empresa”, disse Efromovich, à época. No ano passado, a Avianca Brasil atuava em 28 aeroportos de 18 estados e em nove aeroportos de seis países, segundo a Anac. A frota era de 44 aeronaves e a empresa tinha 5,3 mil funcionários.

Dívida em alta

Nas últimas semanas, o descompasso financeiro da Avianca Brasil ficou evidente. A companhia aérea foi acionada judicialmente pelo não pagamento do arrendamento de aeronaves. Em apenas um dos processos movidos pela Constitution Aircraft, a Avianca Brasil foi acusada de deixar de pagar parcelas do arrendamento de 11 aeronaves. Na decisão, a Justiça proibiu a companhia de levantar voo com as areonaves e determinou busca e apreensão dos aviões.

A empresa acumula dívida de R$ 493,8 milhões, segundo o jornal Valor Econômico. A companhia tem justificado a piora operacional pela alta do dólar e pelo aumento do preço do combustível de aviação. Endividada e sem opção, a Avianca Brasil teve de entrar na justiça com o pedido de recuperação judicial na segunda-feira (10) para evitar que os aviões fossem retomados e atividade da companhia prejudicada. No pedido, a empresa argumentou que a retomada dos aviões ameaçava a viagem de cerca de 77 mil passageiros em dezembro e representaria a redução de 30% da sua frota.

“A Avianca comunica que, em resposta à resistência de alguns arrendadores de suas aeronaves em chegar a um acordo amigável no processo de negociação em curso, a companhia entrou com um pedido de recuperação judicial para proteger seus clientes e passageiros e evitar qualquer impacto em suas operações”, informou a companhia por meio de nota. Na noite de terça-feira (11), o juiz Tiago Henriques Papaterra Limongi concedeu tutela provisória de urgência para a reintegração de posse de um total de 14 aeronaves. Ou seja, a companhia pode seguir com as atividades normalmente.

Fusão nunca saiu

A fusão entre a Avianca Brasil e a Avianca Holdings nunca saiu do papel, embora sempre tenha sido aventada pelos irmãos Efromovich. Um grupo de trabalho chegou a ser criado para discutir a fusão, mas a união nunca foi adiante. Ao contrário da antiga Oceanr Air, a Avianca Holdings tem uma situação financeira mais confortável. No terceiro trimestre deste ano, lucrou US$ 14,1 milhões (cerca de R$ 54,2 milhões)

Embora com operações separadas, as duas empresas chegaram a despetar o interesse da gigante United Airlines. Em fevereiro de 2017, a aérea norte-americana informou que estava avaliando um um investimento nas companhias, mas o negócio não foi adiante.

A United já tem uma participação na Azul.

 Fonte: G1
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