Por US$ 1,9 bi, Delta leva 20% da Latam

ESTADO DE MINAS – MG – ECONOMIA

São Paulo – A Delta Air Lines anunciou ontem que passa a ter nova parceira comercial na América Latina. A empresa vai pagar US$ 1,9 bilhão (o equivalente a R$ 7,9 bilhões) por 20% do capital da Latam. Ao mesmo tempo, a companhia aérea americana vai se desfazer de 9,4% das ações preferenciais da principal concorrente da Latam no Brasil, a Gol, de um total de 12,3% do capital, ou seja, parcela de 1% do total dos papéis.

Mas, a decisão de aterrissar na estrutura societária da aérea chilena não mexe apenas com os mercados local e regional. Afeta também o humor da American Airlines, uma das principais concorrentes da Delta. A Latam oferece voos que ligam as principais cidades da América do Sul aos Estados Unidos (EUA), além de serviços domésticos no Chile, Brasil, Colômbia, Peru, Argentina e Equador.

Agora, as duas empresas passam a oferecer cerca de 435 destinos internacionais e, segundo informaram, passarão a transportar mais passageiros do que qualquer outra aliança.Essa soma bilionária oferecida pela Delta representa uma oferta de Us$ 16 por ação. A principal fonte de recursos para concretizar o acordo será a emissão de dívida e a disponibilidade de caixa da companhia americana. Com o negócio, a nova acionista passa a ter um assento no conselho da Latam.

Para os cofres da Latam, a chegada de novo sócio vai significar melhora substancial na sua geração de caixa, com redução da dívida de aproximadamente US$ 2 bilhões até 2025. Apesar de chegar à empresa com 20% do seu capital, a Delta não ficará com o controle, que permanece nas mãos dos fundadores da companhia latino-americana.

O acordo, que será financiado pela Delta com emissão recente de dívida e recursos em caixa, representa o maior investimento da companhia aérea americana desde a sua fusão com a Northwest Airlines, anunciada há uma década. Para a American Airlines, que vinha costurando um acordo com a Latam de olho na possibilidade de aumentar sua receita na região e sofreu um revés, graças a uma decisão recente da Suprema Corte do Chile, o anúncio forçará o rearranjo da estratégia de busca de novas fontes de passageiros. A empresa informou às agências de notícia internacionais que não está mais negociando a joint-venture e que a mudança de estratégia da chilena não terá impacto financeiro significativo.

A companhia americana já tinha ligação com a Latam por meio da aliança de empresas aéreas OneWorld, que permite, por meio de acordos de compartilhamento, que uma empresa venda assentos nos voos das outras e que seus clientes utilizem as milhas do programa. Agora, a Latam deixará a OneWorld. No entanto, não se sabe se ela vai integrar a concorrente, a SkyTeam, da qual a Delta e seus parceiros fazem parte.

Da mesma forma, a decisão da Delta de reduzir sua participação na Gol vai mexer com o humor do mercado financeiro. A companhia aérea americana passou a fazer parte do grupo de acionistas da brasileira em 2011. Na época, a injeção de recursos foi de US$ 100 milhões.

Segundo o site de relações com investidores da Latam, até 30 de junho o grupo controlador da empresa, o chileno Cueto, detinha 27,9% do capital, enquanto o grupo Amaro, – da família de Rolim Amaro, fundador da TAM, incorporada pela companhia chilena depois de uma aquisição -, era dona até aquela data de 2,6% de participação. A Qatar Airlines é uma das acionistas mais importantes, com 10% dos papéis da Latam.

EXPANSÃO Agora, será preciso que os órgãos reguladores dos Estados Unidos e do Chile avaliem os possíveis impactos do negócio antes de decidir se darão o sinal verde à operação. Como há restrições à venda do controle de empresas aéreas na maior parte dos países desenvolvidos, as companhias estão se voltando cada vez mais para participações minoritárias e joint-ventures como forma de compartilhar receita para ganhar exposição em outros espaços aéreos.

“Nosso pessoal, clientes, proprietários e comunidades serão beneficiados por essa plataforma empolgante para o crescimento futuro”, informou, em nota, Ed Bastian, CEO da Delta. Nos últimos anos, a Delta expandiu de forma regular tanto a participação quanto as parcerias com outras empresas aéreas internacionais. Por exemplo, aumentou a participação na controladora da Korean Air para 9,2%, anunciou joint-venture com a canadense WestJet e aumentou sua presença no capital da Aeromexico, a maior companhia aérea do México, para 49%. Esse negócio foi feito com o objetivo de ampliar a presença da Delta em Los Angeles, um mercado muito relevante para ambas.

Nosso pessoal, clientes, proprietários e comunidades serão beneficiados por essa plataforma empolgante para o crescimento futuro”
Ed Bastian, CEO da Delta Air Lines

BILHETES DA GOL HONRADOS

Além de comprar 20% da Latam por US $1,9 bilhão, a Delta também desembolsará US$ 350 milhões para expandir sua parceria com a transportadora da empresa. Como parte do acordo, a Delta vai adquirir quatro aviões do modelo Airbus A350 e assumirá o compromisso feito pela Latam de comprar mais 10 aeronaves A350 entre 2020 e 2025.

A operação está sujeita à possibilidade de a Delta poder adquirir, no mínimo, 15% do capital da Latam. Após a oferta pública, a empresa americana terá a possibilidade de comprar mais ações da companhia chilena, mas, não poderá ultrapassar o limite de 24,99% do seu capital.

Segundo o comunicado divulgado pelas companhias, a Delta espera que o negócio aumente seus lucros nos próximos dois anos. A empresa declarou ainda que o acordo não afetará seus compromissos financeiros com os acionistas, incluindo a projeção de gerar US$ 4 bilhões em fluxo de caixa e US$ 3 bilhões em retornos aos seus investidores ao longo de 2019. A Delta informou que espera manter inalterado o nível de sua dívida projetada.

Já a Latam tem a expectativa de que a transação “melhore significativamente a geração de fluxo de caixa, reduza sua dívida futura projetada em US$ 2 bilhões até 2025 e melhore sua estrutura de capital, fortalecendo sua capacidade de implementar sua estratégia”.

O CEO da Latam, Enrique Cueto Plaza, declarou após o anúncio: “Essa aliança com a Delta fortalece nossa empresa e aprimora nossa liderança na América Latina, fornecendo a melhor conectividade por meio de nossas redes de rotas altamente complementares”.

SMILES 
Por a, a Gol informou que o atual acordo de compartilhamento de voos com a Delta responde por 0,3% da sua receita total e 3,5% dos resgates de pontos do programa Smiles. Tanto os clientes da Gol quanto os da Delta com passagens adquiridas dentro do acordo de compartilhamento de voos “terão seus bilhetes honrados normalmente”. (PP)

Autor: Paula Pacheco

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