Certificação de regularidade: mercado exige profissionalização

Para o lançamento da sexta edição do Anuário Brasileiro de Aviação, publicado pelo Instituto Brasileiro de Aviação (IBA), o presidente da Abesata, Ricardo Miguel, deu uma extensa entrevista para os produtores. A proposta era apresentar ao mercado, no evento de lançamento, uma perspectiva do setor para os próximos meses e as lições aprendidas com a pandemia. O vídeo, na íntegra, está disponível em Entrevista Ricardo Aparecido Miguel – Dir-presidente da ABESATA. Veja abaixo alguns dos destaques do bate-papo.

Pandemia

“O primeiro momento foi de pânico, com os nossos colaboradores apavorados com a perspectiva de se contaminarem na hora de limpar as aeronaves, carregar as bagagens ou até mesmo atender o passageiro. A única informação que tínhamos era de que o vírus vinha com as aeronaves.”

Primeiras medidas

“Fomos um dos primeiros setores a sentar com os sindicatos e buscar alternativas. Fizemos isso antes mesmo da edição da Medida Provisória que permitia a suspensão de contratos. O setor não queria demitir porque acreditava que todo o processo de isolamento social seria mais curto inclusive.”

Ajuda financeira

“Nosso setor, intensivo de mão de obra, não conseguiu ajuda financeira para enfrentar a crise. O formato de empréstimos com a participação de bancos privados inviabilizou a busca por crédito para a maior parte das empresas e sabemos que o transporte aéreo foi um dos setores mais atingidos. Hoje vemos que todas as empresas associadas sobreviveram, mas vivemos momentos muito duros.”

Vacinação

“Um dos pontos de virada para nós foi quando conseguimos incluir os trabalhadores das ESATAs de forma clara no processo de vacinação prioritária. Havia uma dúvida porque a regra falava em trabalhadores das companhias aéreas e a entidade precisou entrar em cena para garantir que os trabalhadores das empresas especializadas fossem contemplados. Em cinco dias, 90% dos trabalhadores foram vacinados.”

Marco para a Segurança Sanitária

“A pandemia foi um marco para a Segurança Sanitária, pois no começo havia muitas dúvidas, em especial sobre a limpeza das aeronaves, o uso ou não de produtos químicos pulverizados. Mas a ANVISA se aproximou das ESATAs, fizemos diversos fóruns e podemos dizer que hoje estamos mais preparados para outras pandemias que possam surgir.”

Conectividade

“Outro desafio foi adaptar os serviços em solo ao novo modelo de concentração de voos implantado pelas companhias aéreas para lidar com a baixa demanda de passageiros. As empresas de serviços auxiliares precisaram rever as estruturas criadas para atender, por exemplo, oito voos ao longo de um dia inteiro, quando esses voos passaram a se concentrar em um só horário.”

Fatores positivos

“Em meio a tanta turbulência, vimos o crescimento da aviação geral, o impacto importante da aviação regional e ainda a elevada demanda por transporte de carga. Os terminais de carga foram bem representativos para o setor em tempos de falta de passageiros. O ground handling também foi fortalecido com a concretização do processo da Latam de entregar a empresas especializadas mais de 40 bases em todo país, a partir de maio deste ano. Gerando uma demanda adicional relevante.”

Privatização dos aeroportos

“Se por um lado as primeiras rodadas de privatização dos aeroportos foram assustadoras, com os participantes somando os serviços auxiliares na previsão de faturamento deles, com o tempo o resultado foi outro. Esses mesmos administradores aeroportuários perceberam que poderiam fazer os serviços auxiliares, mas que não conseguiam ter custo melhor que o nosso. Com isso, passaram a nos contratar e aumentou nossa demanda. Uma grata surpresa. Esperamos que isso se repita nas próximas rodadas de privatização também. Além disso, novos investimentos fazem aumentar a oferta de voos e isso traz ganhos para o setor também.”

Certificação (CRES)

“Antes da pandemia, o transporte aéreo vinha em uma rota de crescimento importante, com privatizações, Latam já entregando o handling para as ESATAS e uma exigência crescente de profissionalização do Ground Handling. Em 2019, já não era mais possível a situação do passado, com equipamentos adaptados, por exemplo, era preciso investir em equipamentos elétricos e estar em linha com o handling praticado no mundo inteiro. Esse movimento nos levou a criar uma Certificação de Regularidade (CRES), um processo que estamos desenvolvendo até o fim do ano para oferecer aos contratantes, companhias aéreas e aeroportos, uma referência na hora de selecionar uma empresa de serviços auxiliares.”

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