Aéreas têm oportunidades em novas rotas, afirma SAC

VALOR
Por Daniel Rittner | De Brasília

Pelo menos 252 cidades brasileiras têm mercado potencial para o surgimento de novas rotas aéreas, com voos diretos, preservando taxa de ocupação das aeronaves entre 50% e 85%. O diagnóstico foi feito pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), com base em 150 mil entrevistas em aeroportos do país, e faz parte de um panorama inédito do setor que será divulgado hoje.

As rotas com maior demanda reprimida incluem ligações como São Paulo-Blumenau, Rio de Janeiro-Campo Grande, Cuiabá-Curitiba, Recife-Belém e Florianópolis-Belo Horizonte. Hoje não existem voos diretos entre essas localidades. Para medir o potencial, o levantamento indicou a quantidade de passageiros que já percorrem tais trechos, mas ainda dependem de conexões ou precisam percorrer grandes distâncias de carro – como é o caso dos paulistanos em viagem para Blumenau, que costumam descer em Navegantes.
Em um momento de enxugamento das malhas aéreas pelas companhias, diante da alta do dólar e do enfraquecimento da demanda, a SAC busca demonstrar justamente que o setor tem como aumentar seus negócios.

O ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, reconhece o impacto da desvalorização do real no custo das empresas, mas ressalta as oportunidades que podem ser aproveitadas. “Com as mudanças no câmbio, quem fazia turismo externo, vai viajar mais dentro do país. O mesmo fator de dificuldade cria um novo mercado”, afirmou ao Valor.

Questionado sobre o pedido de socorro feito ao governo pelas aéreas, em um momento de forte contenção fiscal, Padilha vê pouquíssimas chances de que isso possa prosperar. Ele disse ainda não ter se reunido com a equipe econômica para discutir o assunto. No mês passado, as companhias entregaram em Brasília uma proposta de mudanças na fórmula de reajuste do combustível e de uso temporário do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) para o pagamento de tarifas aeroportuárias.

A pesquisa da SAC, intitulada “O Brasil que voa”, traça um panorama dos hábitos de passageiros que usam 65 aeroportos brasileiros. Um dos pontos identificados é a democratização do transporte aéreo: quatro em cada dez viajantes ganham entre dois e dez salários mínimos. O levantamento também mostra principais rotas utilizadas, mercados potenciais e municípios influenciados pelos terminais. Transformado em um centro de distribuição de voos da companhia aérea Azul, por exemplo, o aeroporto de Viracopos (SP) recebe passageiros de 282 municípios diferentes.

O levantamento revela que a maioria dos passageiros de voos domésticos tem entre 31 e 45 anos, compra passagem com menos de um mês de antecedência, viaja para trabalhar ou estudar (não por lazer), vai de táxi para o aeroporto e gasta até uma hora para chegar lá. Esse “passageiro-padrão” chega ao terminal de uma a duas horas antes do voo (um indicador para o consumo), faz check-in no balcão da companhia aérea, despacha bagagem e gasta até R$ 50 enquanto espera pela última chamada. Nos voos internacionais, a maioria dos passageiros (62%) chega ao aeroporto com duas a quatro horas de antecedência.

Quase dois terços também consomem algum produto ou serviço no terminal. A pesquisa, em parceria com a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), teve participação do Instituto Olhar, de Belo Horizonte. Para produzir mais fielmente o retrato dos hábitos, foram escolhidos quatro períodos diferentes do ano para as entrevistas: meses de férias (dezembro e janeiro), com mais negócios (março e abril) e dois meses mais próximos da normalidade (maio e agosto). Cada passageiro entrevistado respondeu 70 perguntas — o que permitiu à SAC montar um banco de dados com 10,5 milhões de respostas.

De acordo com Padilha, o Brasil deve ter uma movimentação de mais de 600 milhões de passageiros por ano, em 2034. O panorama, segundo ele, ajudará no desenvolvimento de políticas públicas para o setor que busquem eficiência na prestação de serviços.

Leia também

© 2026 All Rights Reserved.