Após a TAM anunciar um corte de 8% a 10% das operações no mercado doméstico neste ano, crescem as expectativas de que as concorrentes também façam ajustes para adequar a relação entre a oferta e a demanda no setor.
Para o analista Victor Mizusaki, do Bradesco BBI, a Gol seria a maior vencedora em um cenário de gestão disciplinada da capacidade. Isso porque cerca de 90% da receita da companhia é gerada no Brasil, ante 26% na Latam Airlines, controladora da brasileira TAM e da chilena LAN.
Por enquanto, as companhias não fizeram cortes efetivos na frequencia dos voos domésticos. De março a julho, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou a TAM a excluir 23 voos, a Gol a cancelar 26, a Azul a deixar de operar 22 voos e a Passaredo, 2, somando 73. Ao mesmo tempo, incluíram novos voos. A TAM adicionou 41 voos neste ano, q Gol 57, a LAN 4, e a Azul, 83, entre rotas nacionais e internacionais, totalizando 185.
A TAM informou que os pedidos de exclusão de voos referem-se ao ajuste normal das frequencias na baixa temporada – período de março a junho e de agosto a novembro – e, por isso, são uma situação diferente do corte de capacidade anunciado. As rotas afetadas estão “em definição”, mas a TAM afirma que não deixará de operar nenhum destino atual.
Segundo dados de março a julho disponibilizados pela Anac, a TAM realizou pedido para
cancelamento de 4 voos regionais, 13 nacionais e 6 internacionais. Voos regionais na Bahia e em Minas Gerais deixarão de ser operados em agosto e setembro, respectivamente. A maioria dos voos nacionais que serão excluídos chegam ou partem do aeroporto do Galeão (RJ) e sairão da programação da empresa em setembro. Nas frequências internacionais, a companhia excluiu idas e voltas em Guarulhos e Santiago, no Chile.
A Gol decidiu deixar de operar 26 voos neste ano, sendo 14 nacionais e 12 internacionais. As frequências domésticas incluem aeroportos paulistas, mineiros, paranaenses e cariocas. Todas as exclusões valem a partir do fim de julho. Nas rotas internacionais, a empresa vai excluir voos a Punta Cana, Argentina, entre outros.
A Azul excluiu 22 voos, sendo 14 regionais – em Minas Gerais e Paraná, principalmente – 2
de rede postal (cargas), 4 de nacionais e dois internacionais entre Campinas (SP) e
Orlando (EUA). Os trechos deixam de ser operados entre julho e agosto.
A Gol disse estar em período de silêncio até meados de agosto, devido à parceria com a
Delta Air Lines assinada neste mês, e não comentou o assunto. A Azul disse não ter previsão de cortes ou readequações neste ano. A Avianca não respondeu até o fechamento da edição. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), no acumulado do ano, a TAM tinha 37,03% da demanda doméstica e a Gol, 36,73%.
FONTE: VALOR
Por Tatiane Bortolozi | De São Paulo


