Por João José Oliveira | Valor
SÃO PAULO – A Delta Air Lines, terceira maior companhia aérea dos Estados Unidos, está trabalhando de maneira próxima com a sócia brasileira Gol para enfrentar as incertezas
econômicas no Brasil e aguarda apenas para o ano que vem a ratificação do acordo de céus abertos entre os dois países.
As declarações foram dadas pelo presidente do conselho da Delta, Ed Bastian, segundo principal executivo da companhia, abaixo do presidente-executivo, Richard Anderson, durante a teleconferência de resultados nesta quarta-feira, quando a empresa apresentou o balanço do terceiro trimestre. Entre julho e setembro, a Delta cortou em 4,5% a capacidade nos mercados emergentes para atenuar o impacto negativo do câmbio na receita dessas rotas internacionais. O Brasil, ao lado de Japão, Rússia e Oriente Médio, teve ajustes mais intensos, que chegaram a 20% da oferta. Perguntado sobre o interesse da Delta na América Latina e no Brasil, o presidente da Delta disse que a sociedade com a Gol é essencial para a estratégia da companhia na América Latina, mercado em que a aérea americana tem também participação na mexicana Aeromexico.
No segundo trimestre ainda, a Delta participou da operação de aumento de capital da Gol, que chegou a R$ 1,5 bilhão, triplicando a fatia que detém no capital da aérea brasileira para 9,5%. Essa operação compôs a despesa de capital da aérea americana no terceiro trimestre, que
chegou a US$ 1 bilhão. Sobre o acordo de céus abertos – assinado pelos governos americano e brasileiro há cinco anos -, que previa a abertura gradual das rotas entre os dois países para as companhias aéreas dessas nacionalidades, o executivo disse: “Assim que sair, vamos entrar para um pedido para atuar nesse mercado”, disse o Ed Bastian.
Originalmente, a última etapa desse processo — quando não haveria mais cotas de voos ou frequências entre os aeroportos desses dois territórios — seria válida desde de 1º de outubro de 2015. Mas essa fase, que precisa ser ratificada pelo Congresso e o Executivo brasileiros, não foi realizada, em grande parte, por causa do interesse da Azul — terceira maior empresa aérea brasileira —, que teme a concorrência estrangeira em um momento adverso da aviação nacional.
Balanço


