Representantes dos funcionários dos aeroportos brasileiros dizem que a alteração da regra de inspeção de passageiros em voos domésticos foi apressada e reclamam que o setor foi pego de surpresa.
O sindicato dos aeroportuários (funcionários dos aeroportos), por exemplo, diz que soube da data de implantação dos novos procedimentos pela imprensa, na última sexta-feira (15). “Era uma discussão que ocorria há duas semanas, mas a data mesmo só soubemos há três dias”, relata Célio Barros, secretário-geral do sindicato.
Outro que reclama da velocidade para implantar as mudanças Edenilson Valadão, do sindicato paulista dos aeroviários (funcionários das companhias aéreas que trabalham no solo). Para ele, a nova norma de inspeção veio “num estalar de dedos”.
“[A alteração na regra] pegou todo mundo de surpresa. O resultado [filas e desinformação] demonstra que houve precipitação. A mudança demandaria um prévio preparo de quem trabalha diretamente com o passageiro”, afirma Valadão.
Para o sindicato dos aeroportuários, os novos procedimentos de segurança poderiam ter sido adotados inicialmente em um único aeroporto do país para depois serem ampliados. “Depois do primeiro teste, seriam analisadas as falhas. Dessa forma, seria criado um novo modelo mais fácil de ser aceito”, argumenta Barros.
Esse processo deveria ainda vir acompanhado de uma campanha de educação do passageiro, para que ele pudesse entender as mudanças. “Lamentavelmente, o país adota coisas abruptas e não conscientiza a população. Mas as mudanças deveriam ser mais discutidas e fazer uma conscientização para a população”, diz Barros. Para ele, com maior compreensão das regras de segurança aeroportuárias, o passageiro coopera mais na hora do embarque.
Ele cita o exemplo de países europeus, onde o rigor com o passageiro é extremado, devido ao constante risco de ataques terroristas. “Na Espanha, por exemplo, o passageiro que fizer disparar o detector de metais, é obrigado a voltar ao final da fila de inspeção [para separar seus pertences de metal] (…) São países mais acostumados ao riscos e também às regras”, afirma.
OUTRO LADO
A Anac diz que a discussão sobre as novas regras têm sido feitas desde “meados de 2015” e que publicou no Diário Oficial sobre a implantação dos novos procedimentos no último dia de junho. Uma reunião, diz a agência, foi realizada com operadores dos aeroportos em 1º de julho. A Anac acredita que o período foi suficiente para que os aeroportos se adequassem. A reguladora diz ainda que os agentes aeroportuários responsáveis pelas inspeções são capacitados e
constantemente certificados.
A Anac não respondeu o motivo pelo qual não testou inicialmente os novos procedimentos em escala menor e por que adotou as medidas em período de alta demanda, às vésperas da Olimpíada e de férias escolares.
FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO
FABRÍCIO LOBEL
DE SÃO PAULO


