Gol pode reduzir custo de manutenção

Em meio a um amplo processo de renegociação de dívidas, a Gol prepara-se para uma redução de custos de manutenção mais profunda (“heavy check”) de seus aviões, já neste segundo semestre, e para abrir um nova fonte de receita, em um horizonte de dois anos, prestando esse serviço para outras companhias aéreas.

Este cenário foi desenhado ontem ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, por Sérgio Quito, vice-presidente de operações da Gol, e por Alberto Correnti, diretor de manutenção.

A companhia deve gastar menos em manutenção de seus aviões, dizem os executivos, pois já tem em mãos a certificação para fazer “heavy check” (ou “check C”) – um tipo de checagem de maior detalhamento técnico, que pode durar de 25 a 30 dias. A Federal Aviation Administration (FAA), agência reguladora do setor de aviação dos Estados Unidos, concedeu a certificação nesta semana.

No segundo semestre, mais próximo do fim do ano, a Gol, que está renegociando seus contratos de leasing de aeronaves, vai devolver dois aviões do tipo 737-NG, da Boeing, ao arrendador. Antes de ter o certificado de “heavy-check” da FAA, a Gol contratava essa checagem – que pode custar de US$ 3 milhões a US$ 7 milhões, dependendo do tipo e da idade do avião – em outras oficinas especializadas. Agora, ela mesma vai fazer. “Vamos usar esse benefício na própria companhia. Vai reduzir custos para a companhia”, diz Quito.

A Gol tem atualmente uma frota de 138 aeronaves. Quito não soube informar quanto a Gol gasta com a manutenção de seus aviões, mas ele diz que as despesas com esse tipo de serviço costumam ficar entre 5% e 7% dos gastos.

Quito e Correnti estimam que, dentro de dois anos, a Gol será capaz de também vender esse tipo de manutenção, na qual o avião precisa ficar parado por cerca de um mês e tem boa parte de sua estrutura desmontada, para as aéreas.

Até agora, a Gol, quando precisava fazer um “heavy check” – esse tipo de revisão é feito a cada dois anos e quando a aeronave é devolvida ao fim do contrato de leasing – contratava, por exemplo, os serviços da portuguesa TAP, que opera uma oficina de manutenção em Porto Alegre. Também mandava seus aviões para oficinas nos Estados Unidos ou na Europa.

A nova certificação da FAA também abre possibilidade de a Gol fazer checagens mais simples (diárias, antes do início do voo) em aviões da Delta que pousarem no aeroporto internacional do Rio, o Galeão. “Estamos esperando ser chamados pela Delta para prestar esse serviço. Isso deve ocorrer no segundo semestre”, diz Quito. Neste caso, a certificação da FAA foi dada para aviões 767, da Boeing, ou A330, da Airbus. A Delta é acionista da Gol, com 9,5% do capital.

A Gol, que abriu seu centro de manutenção há 10 anos, já presta esse tipo de serviço – de checagens diárias, mais simples do que o “heavy check” – para Copa Air, Aerolíneas Argentinas e outras empresas de transporte de carga. A divisão de manutenção da Gol emprega 2,3 mil funcionários, sendo 750 em Confins (MG), onde há três hangares. A companhia mantém equipes de manutenção em cerca de 65 aeroportos no país.

O plano de reestruturação da Gol – que vem tentando reduzir dívidas, em meio a uma forte retração de demanda por viagens no país – contempla redução no cronograma para recebimento de novas aeronaves de 15 para 1 em 2016, venda de cinco aviões, suspensão de sete destinos e antecipação de receita de venda de passagens pela Smiles no valor de até R$ 1 bilhão – dos quais R$ 300 milhões já foram executados.

A dívida bruta ajustada da companhia no fim do primeiro trimestre somava R$ 16,3 bilhões. A dívida líquida é de R$ 6,05 bilhões. No início de julho a Gol anunciou que havia encerrado a renegociação de sua dívida com detentores de papéis emitidos no exterior – com adesão de apenas 22,4% dos credores. Ainda assim, analistas consideraram o resultado positivo. A apreciação do real frente ao dólar é um dos fatores que ajudam a melhorar o cenário da Gol.
A Gol também renegocia débitos com bancos e empresas de leasing de aeronaves. (Colaboraram Tatiane Bortolozi e Gustavo Brigatto)

 

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