PARIS – Os agressores que atacaram diretores da Air France na segunda-feira, quando a camisa do chefe de recursos humanos da empresa chegou a ser totalmente rasgada, devem ser severamente punidas, disse o primeiro-ministro da França, Manuel Valls, nesta terça-feira. Além disso, o governo descartou a possibilidade de estatizar a aérea que está com dificuldades financeiras.
— São ações de marginais — disse Valls na sede da Air France, perto do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. — Violência é inaceitável… deve haver punições severas.
A Air France apresentou uma queixa formal sobre o incidente, que foi condenado pelos executivos da companhia, pelos sindicatos e por outros membros do governo francês, como o ministro dos Transportes, Alain Vidalies. No confronto de segunda-feira, um segurança chegou a ficar inconsciente por várias horas.
Executivos da Air France tiveram de abandonar um encontro com o conselho trabalhista sobre demissões em massa na segunda-feira, após funcionários com bandeiras invadirem a sala. Imagens da violência rodaram o mundo. A aérea anunciou que 2.900 funcionários serão demitidos, que rotas serão extintas e que a compra de aeronaves será suspensa.
Valls pediu que as negociações entre a companhia aérea e seus funcionários continuem, e disse que o governo apoia a direção da Air France em suas tentativas de mudar a companhia. Já Vidalies disse que os eventos de violência contra os executivos da aérea são uma caricatura da França e não ajudam em nada o futuro da companhia.
— Acho que a melhor resposta francesa aos que lá fora veem isso como uma caricatura do país é mostrar que esses eventos não são a França e que podemos voltar ao rumo com negociações — disse.
Apesar da condição financeira frágil, a renacionalização da Aire France não está na agenda do governo, afirmou nesta terça-feira o ministro dos Transportes.
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— Na Bolsa, o valor de mercado encolheu de € 7 bilhões para € 2 bilhões, então é uma companhia frágil.
Perguntado se o governo interviria mais diretamente na disputa devido a seus 17% no negócio, Vidalies disse que uma nova estatização da empresa não está nos planos.
— A fatia é um resultado da história… O Estado é um acionista, mas não estamos em uma situação hoje em que a solução seja a nacionalização da Air France.


