Grupo chinês HNA compra 23,7% da Azul por R$ 1,7 bilhão

VALOR

Por João José Oliveira | De São Paulo

A holding Azul S.A. vendeu 23,7% do capital da Azul Linhas Aéreas Brasileiras por
US$ 450 milhões (R$ 1,7 bilhão) para o HNA Group, conglomerado chinês com negócios nos
setores industrial, financeiro, de turismo e logística, que geram receita anual de US$ 25,6 bilhões.
No setor da aviação, o HNA Group controla 14 empresas aéreas que tem uma frota de 524
aviões dos modelos da Boeing, Airbus e Embraer.

O valor pago pelo grupo chinês avalia a Azul em US$ 1,8 bilhão, ou cerca de R$ 7 bilhões.
O negócio será pago em dinheiro, injetando R$ 1,7 bilhão no caixa da Azul, que passa a somar
R$ 2,5 bilhões. Segundo o presidente da empresa, Antonoaldo Neves, a liquidez extra pode ser
usada para melhorar o perfil de dívida por meio, por exemplo, de antecipação de compromissos
mais caros.

O presidente da Azul disse que, além do aporte de capital, o conglomerado chinês fortalece a
presença da aérea brasileira no mercado mundial da aviação por meio de sinergias. “Estamos
em um mercado em consolidação. Por causa da legislação de cada país, esse processo está
sendo feito por meio de parcerias e participações societárias”, disse Neves, citando a entrada
do dono da Azul, David Neeleman, no controle da portuguesa TAP, cujo contrato foi assinado
na semana passada. “A TAP é um negócio do controlador da Azul, mas vai gerar sinergias para
Azul”, disse.

A bandeira mais importante do grupo chinês é a Hainan Airlines, quarta maior companhia de
aviação chinesa. A Tianjin, também do grupo, foi a primeira compradora do E190 da Embraer
na China, tendo hoje a maior frota de E-Jets na Ásia, com 50 jatos desse modelo.

“Somos os maiores clientes de Embraer no Brasil, e eles na Ásia. Tão importante quanto o
aporte de capital são as sinergias”, disse o presidente da Azul, citando oportunidades de
economizar em contratos de seguros, leasing e encomenda de aviões. Segundo ele, as duas
companhias também terão compartilhamento de voos – codeshare – no futuro.

O HNA Group também é dono da Swissport, líder mundial em serviços auxiliares para aviação,
depois de pagar US$ 2,8 bilhões pela empresa em julho deste ano. “Eles precisam investir
dinheiro fora da China e buscam oportunidades”, disse Neves.
Segundo o presidente da Azul, é nesse contexto que a companhia brasileira vai fechar 2015
com um volume de US$ 850 milhões captados na China.

Além dos US$ 450 milhões aportados pelo HNA Group, a Azul levantou, em maio,
US$ 200 milhões em um acordo de leasing com o Banco Industrial e Comercial da China
(IBCC) para financiar aeronaves Embraer. “Estamos negociando com um grupo de bancos outra
operação de tamanho semelhante”, adiantou.

Com esse acordo, a Azul soma este ano aportes em capital (equity) de US$ 550 milhões. Em
julho, a aérea já havia recebido US$ 100 milhões por 5% vendidos à United Airlines, dos Estados
Unidos. “Isso é mais do que a gente planejava levantar com o IPO [oferta pública inicial de
ações]. A diferença é que as alternativas de levantar capital em bolsa permanecem, seja com
a própria Azul, seja com a Tudo Azul [programa de fidelidade da empresa]”, disse Neves.

Desde 2013, a Azul vem tentando emitir ações em uma oferta inicial na Bovespa para levantar
R$ 1 bilhão, fortalecer o caixa e remunerar acionistas minoritários que fazem parte dos fundos
de investimentos. Mas por três vezes a operação foi suspensa por causa da conjuntura adversa
no mercado brasileiro de capital e na economia do país.

“O IPO vai ser feito. Mas no momento certo, quando houver liquidez. Até porque os investidores
[fundos] também não querem sair agora. Eles sabem que se saírem neste momento não
recebem o que for gerado pelo [programa] Tudo Azul e outras operações que estão sendo
fortalecidas pelos aportes como este do HNA Group”, disse Neves.

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