Latam Cargo usa investimento para conter perda de mercado no Brasil

A Latam Cargo, líder no transporte aéreo de cargas entre as companhias aéreas brasileiras, conclui este ano o programa de investimentos lançado em 2014, no valor de R$ 96 milhões, com a meta de interromper a tendência de queda de demanda e de perda de participação de mercado que marcaram a temporada passada. O diretor-geral da Latam Cargo, Luis Quintiliano, disse que a empresa está mais eficiente em infraestrutura, com a renovação dos 50 terminais de carga operados pela companhia. “Também fortalecemos os canais de venda, com maior foco nos clientes-chave”, disse o executivo, que admite, entretanto, “mais um ano de muito desafio”.

Segundo ele, faltam a modernização e ampliação de terminais secundários, como os de São José do Rio Preto (SP), Maceió (AL), Aracaju (SE) e Florianópolis (SC), além do centro de operações de Osasco. Os maiores centros de operação do grupo, como o de Guarulhos (SP), já foram ampliados e aperfeiçoados. Os terminais que serão renovados e entregues este ano já receberão a nova marca — uma vez que o grupo está trocando toda identidade TAM Cargo, no Brasil, e LAN Cargo, na América do Sul, pela marca Latam Cargo. “Esse processo vai ser feito ao longo dos próximos três anos, quando chega às aeronaves cargueiras”, disse Quintiliano. O diretor da Latam Cargo disse que a demanda internacional pelo transporte de carga ganhou força este ano no lado da exportação, por causa da valorização do dólar ante o real. Mas esse mesmo fator tem prejudicado as importações. “E a demanda doméstica por carga aérea depende da indústria. E estamos em recessão”, apontou. Em 2015, a Latam Cargo transportou 1,7% menos volume de toneladas de carga nas rotas internacionais e 22,8% menos no mercado interno brasileiro.

A participação da Latam Cargo no mercado doméstico de carga caiu de 55,7%, em 2014, para 46,10% em 2015, enquanto nas rotas internacionais o market share do grupo recuou de 73,6% para 62% — levando em conta apenas as empresas brasileiras.
O executivo disse que há ainda ganhos de sinergia a serem apropriados pelo grupo por meio de aperfeiçoamentos das malhas aéreas da TAM e da LAN. Em 2015, a Latam registrou no balanço consolidado queda de 26,8% na receita agregada de transporte de carga, que atingiu US$ 334,9 milhões, ou 13,5% do faturamento operacional total da holding.

Por João José Oliveira | Valor

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