Para atender uma demanda maior, com uma estrutura que se manteve a mesma, as companhias precisaram se adaptar. A Gol, por exemplo, empresa que lidera em número de passageiros o movimento no trecho Santos Dumont-Congonhas, começou no final da década passada a renovar sua frota. Hoje, das 141 aeronaves, 98 são Boeing 737 com capacidade para 15 pessoas a mais do que os aviões antigos.
— Como não dava para colocar mais aviões no pátio do aeroporto, o jeito foi crescer dentro da própria aeronave — diz Eduardo Bernardes, diretor de Vendas da Gol, companhia que oferece a tarifa mais barata (R$ 102 reais) para quem compra antecipado.
Além de preços mais em conta, as empresas tentam fisgar passageiros com outros atrativos. Bernardes explica que a Gol não fornece alimentação em voos de curta duração — apenas na Ponte Aérea. Já a Avianca bate no peito para dizer que oferece mais conforto interno.
— Nossa aeronave tem 76 centímetros entre uma poltrona e outra. É a maior distância entre as companhias — afirma Tarcisio Gargioni, vice-presidente de Vendas da Avianca.
O início dos voos entre Rio e São Paulo ocorreu em 1936, em aviões trimotores Junkers 52, de 17 lugares. O conceito da Ponte Aérea nasceu em 6 de julho de 1959. Na época, formou-se um consórcio com Varig, Cruzeiro do Sul e Vasp, para enfrentar a concorrência da poderosa Real. Com o formato, as companhias passaram a oferecer aos passageiros horários escalonados e preço de passagem padronizado (o tíquete podia ser utilizado em qualquer empresa). O usuário não precisava esperar horas pelo voo e embarcava muito mais rápido. Deu tão certo o serviço, que inspirou outras rotas do gênero, como as pontes Nova York-Washington e Madri-Barcelona.
Em 1971, estrearam na Ponte Aérea Rio-São Paulo os turboélices Electra II. O conforto e o fato de não terem sido registrados acidentes com esses aparelhos fizeram do avião um símbolo da rota. Antes dele, ocorreram dois acidentes, com 59 mortos no total. Em 1992, depois de muita polêmica sobre a segurança dos pousos de jatos na pista de 1.325 metros do Santos Dumont — uma das menores do país —, os Electras começam a ser substituídos por Boeings 737. Um ano antes, também havia chegado ao fim o acordo entre as companhias que operavam a Ponte Aérea, restabelecendo o formato que vigora hoje em dia. Uma empresa vende bilhetes só para seus voos e permite o adiantamento do horário quando há vagas.
O Departamento de Controle do Espaço Aéreo, do Comando da Aeronáutica, estuda a utilização de uma rota que faria cair dos atuais 44 minutos para 36 o tempo do voo entre Santos Dumont e Congonhas. Atualmente, há quatro rotas disponíveis. Essa seria a quinta. O problema é que a empresa Embraer utiliza esse percurso para testar suas aeronaves. A companhia não comenta o assunto.
— Seria um ganho para todos. Com voos mais rápidos, as companhias aéreas teriam um gasto menor, o que poderia beneficiar os passageiros com tarifas menores — diz o coronel Ary Bertolino, da Aeronáutica.
SANTOS DUMONT, O 2º PIOR AEROPORTO
Na última quarta-feira, a Secretaria de Aviação Civil divulgou uma pesquisa em que aponta o Aeroporto Santos Dumont como o segundo pior do país. O estudo leva em conta as avaliações de passageiros no primeiro trimestre deste ano.
Além dos problemas de gestão, o Santos Dumont sofre com a localização geográfica. Por ficar na entrada da Baía da Guanabara, em dias de chuvas e muita nebulosidade o aeroporto precisa ser fechado. Em 2014, houve 16 paralisações. Em abril do ano passado, em dois dias, o espaço ficou fechado por nove horas, e 38 voos precisaram ser desviados para o Galeão.
— Os fechamentos do Santos Dumont acontecem por causa da sua posição geográfica. Isso não há como mudar. O problema é que é um aeroporto gerido de uma forma não moderna. Quando você o compara com qualquer aeroporto, vê que faltam limpeza, organização e conforto para os passageiros — diz Respício Espírito Santo, professor de engenharia da UFRJ e especialista em aviação.
Para o empresário paulista João Malaquias, só a localização do Santo Dumont já vale a viagem São Paulo-Rio.
— Da janela do avião, a gente fica impressionado com a beleza natural do Rio. É até brincadeira comparar essa vista com a de prédios que temos ao chegar a Congonhas — diz Malaquias, que vem ao Rio semanalmente. — Mas, assim que pousamos, vemos um aeroporto sujo e, no verão, o lugar parece uma estufa. É impressionante como a gestão do aeroporto é ruim.
Em nota, a Infraero diz que a limpeza do aeroporto foi impactada pelas obras no terceiro piso do local. Em relação ao calor, um sistema novo de ar-condicionado será inaugurado no primeiro semestre de 2016.


