Sobre Embraer, Boeing afirma que ‘futuro da aviação ficará no Brasil’

Empresa americana afirma, pela primeira vez, que produção de aeronaves após acordo ficará por aqui

A Boeing admite, pela primeira vez, que a produção de aeronaves ficará no Brasil após a finalização do acordo com a Embraer, cujo término das negociações e autorizações está previsto para o próximo ano. Tal garantia não foi dada pelas duas companhias na ação civil pública que o MPT (Ministério Público do Trabalho) de São José dos Campos move para evitar a perda de empregos no Brasil com o acordo entre as fabricantes.

As duas companhias irão criar uma joint venture que absorverá todo o segmento de aviação comercial da Embraer, hoje baseado em São José. A nova empresa terá 80% de controle da Boeing, no entanto terá sede no Brasil e também equipe brasileira. Em artigo (leia na página 12) enviado ao jornal, Greg Smith, vice-presidente Executivo, Financeiro e de Estratégia e Desempenho da Boeing, enaltece o acordo com a Embraer, dizendo que “potencializará nossas carteiras de produtos e serviços”, e afirma que: “O futuro da aviação continuará sendo construído no Brasil”.

Foi a primeira menção direta de um executivo da Boeing sobre a permanência da produção de aviões no Brasil. O MPT teme, por exemplo, que após o acordo a linha de produção da Embraer possa ser transferida para os Estados Unidos, gerando desemprego no Brasil. “Como a nova empresa que seria criada a partir da venda de parte da Embraer seria uma subsidiária da Boeing, poderia ela ser cobrada pelo governo norte-americano, principal cliente da Boeing, a produzir apenas nos Estados Unidos”, informou o MPT na ação.

“A Boeing está investindo no Brasil a longo prazo, e a parceria com a Embraer é um reflexo desse nosso compromisso com o país”, apontou Smith. “A parceria ampliará este relacionamento [entre Embraer e Boeing], criando mais empregos e oportunidades”, afirmou o executivo em outro trecho do texto. 

COMPROMISSO

Com relação ao acordo com a Embraer, o termo “compromisso com o Brasil” também foi usado pelo presidente da Boeing, Dennis Muilenburg, durante a feira de aviação de Farnborough, na Inglaterra, no começo de julho.  Ao lado de Paulo Cesar de Souza e Silva, presidente e CEO da Embraer, Muilenburg afirmou que a Boeing que a negociação com a empresa brasileira reflete na relação da companhia com o país. “Nosso investimento ressalta nosso compromisso com o Brasil”, disse Muilenburg.

Procurada, a Boeing informou que o acordo com a Embraer “deverá gerar um novo ciclo virtuoso para a indústria aeroespacial brasileira, com maior potencial de vendas, aumento de produção, geração de emprego e renda, investimentos e exportações, agregando maior valor para clientes, acionistas e empregados”.

Fonte: Xandu Alves / Gazeta de Taubaté
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