A Latam, dona da companhia aérea TAM, pode revisar o corte de capacidade neste ano no Brasil se a demanda corporativa não melhorar, disse ontem a presidente da TAM, Claudia Sender. A meta é reduzir de 8% a 10% a capacidade no Brasil em 2016 ante 2015. “O que temos visto é que ainda há excesso de capacidade. Tivemos aumento de custos que não conseguimos repassar. E as taxas de ocupação no Brasil estão abaixo da indústria mundial. Então podemos, sim, ter que cortar mais a capacidade”, afirmou ontem a executiva. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a demanda no Brasil está em queda no setor aéreo há oito meses, a pior sequência desde 2003. Em março apenas, a retração foi de 7,3%, e a taxa de ocupação recuou para 77,6%.
Para a presidente da TAM, a recuperação da economia e da demanda área passa pelo fim da crise política. “Com ou sem impeachment [da presidente Dilma Rousseff, algo tem que mudar. Do jeito que está é insustentável”, afirmou Claudia, sem responder se prefere um troca de governo ou a manutenção da atual presidente. “O que a gente tem feito é encurtar o planejamento”, afirmou Claudia. Ela citou as dificuldades próprias da aviação para fazer ajustes, uma vez que o horizonte de planejamento nessa indústria é longo. Os quatro novos aviões A350 que a empresa está recebendo da Airbus este ano foram encomendados há 13 anos. “Por ser parte de um grupo maior, podemos ajustar a oferta à demanda conforme os diferentes mercados”, disse a presidente da TAM. Como exemplo, Claudia apontou o mercado peruano, onde a demanda está mais aquecida que no Brasil e, assim, pode receber aeronaves que a princípio viriam para o Brasil. A empresa também pode “encher” o avião em diferentes lugares. Ela citou o caso da Argentina, onde a troca de governo já inflou a confiança do consumidor e aqueceu a demanda. “Mas é importante reforçar que continuamos apostando no Brasil”, disse Claudia, que ontem detalhou o cronograma de lançamento da nova marca. As grifes TAM e LAN (a coligada chilena da TAM) serão aposentadas. O primeiro voo com a nova logomarca Latam decola em 1º de maio, quando um Boeing 767 parte do Rio para Genebra para buscar a tocha olímpica para os Jogos Rio 2016. No dia 5 de maio deverão decolar os três primeiros voos comerciais, com a marca Latam, nas rotas entre São Paulo e Santiago; entre Santiago e Lima e de São Paulo a Brasília.
A Latam quer finalizar a pintura exterior de cerca de 50 aeronaves neste ano, e concluir a alteração de toda a frota, de 341 aviões, até 2018. A pintura de um avião leva, em média, de seis a 12 dias, e será realizada durante a manutenção de rotina dos aviões. Também no dia 5 de maio, será levada a marca Latam a 13 dos aeroportos onde as companhias do grupo operam, incluindo os terminais brasileiros em Guarulhos (SP), Congonhas (SP), Galeão (RJ) Brasília, além de Buenos Aires, Lima, Bogotá, Quito, Miami, Madri, Guayaquil e Nova York (JFK). A mudança inclui a sinalização dos balcões de check-in, salas VIP, cartões de embarque e informações nas telas. A mudança da março deverá custar cerca de US$ 30 milhões.
VALOR – João José Oliveira | De São Paulo


