TAM quer cláusula clara contra cobranças abusivas de concessionárias

As concessões aeroportuárias deveriam trazer uma proteção contra aumentos abusivos de áreas não reguladas nos aeroportos, diz Claudia Sender, presidente da TAM.  A aeronáutica determina o valor de taxas, como as de pouso e embarque, que subiu cerca de 72% em 2015. Os serviços não regulados tiveram reajustes superiores, afirma.

Na quarta-feira (20), o Tribunal de Contas da União liberou a concessão dos aeroportos de Salvador, Porto Alegre, Fortaleza e Florianópolis, que serão 100% privados. Eles serão concedidos pelo regime de outorga -o grupo que der o maior lance fica com a concessão. Sender diz considerar que o modelo não é o melhor para o desenvolvimento do setor, pois as concessionárias precisam recuperar o valor investido. “Toda vez que se concessiona um aeroporto, nossos custos triplicam e a gente não consegue repassar o valor”, diz a executiva.

“Há concessionárias que cobram da gente até taxas de jardinagem. Nós tentamos levar para a Anac, mas o órgão regulador acredita que não tenha a obrigação de legislar entre dois entes privados.” Sender defende ainda que as companhias não tenham de arcar com despesas decorrentes da meteorologia.

“O Brasil é um dos únicos países onde a empresa aérea tem de dar alimentação, telefone e hospedagem, no caso de cancelamento de voo por causa do mau tempo.”Para o setor que vem em queda desde setembro, a estimativa para este ano é de diminuição entre 5% e 7% no número de passageiros.

A demanda de turistas de lazer, que desde a Copa compensou a queda na procura do segmento corporativo, é o que mais preocupa, de acordo com Sender.”Não existe mais promoção que traga elasticidade. O mercado de voos entre Brasil e Estados Unidos caiu pela metade de um ano para outro.” O câmbio volátil atrapalha mais do que o elevado

“Mesmo com o dólar mais alto, se estiver estável, o passageiro se programa e fica em um hotel mais barato. Muita volatilidade retrai ainda mais a demanda. O passageiro arbitra para ver se cai.”

Em 2015, a empresa diminuiu a capacidade operacional em cerca de 10% e neste ano, o recuo deverá ser na mesma proporção.

“A redução se provou acertada porque os custos não param de subir e a receita tem dificuldade em acompanhar”, acrescenta.

Quanto à crise, Sender diz que “a oposição e a situação têm de entrar em acordo sobre o modo como vamos evoluir daqui para a frente. Um dos caminhos pode parecer mais fácil, mas no dia seguinte, vamos nos deparar com os mesmos desafios de antes”.

A forma como se estava conduzindo a necessidade de reformas não estava sendo efetiva, lembra a presidente que cortou o número de voos.

“Estamos em modo de sobrevivência nesse momento tão complexo para podermos sair mais fortes.”

50,4 mil é o número global de funcionários que trabalham no Grupo Latam

23,2 milhões é o total de passageiros transportados no Brasil no acumulado do ano até março

84,3% foi a taxa de ocupação dos assentos no mesmo período

R$ 7 bilhões foi o lucro global bruto durante 2015

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