Um aeroporto para o Guarujá

Antigo sonho dos moradores e empresários da Baixada Santista, o Aeroporto Civil Metropolitano do Guarujá está perto de ser concretizado. Depois de o Governo Federal ter assinado a outorga do equipamento – autorizando sua implantação –, a prefeitura da cidade já está em fase avançada nos estudos sobre o modelo pretendido de concessão à iniciativa privada. A expectativa é que a definição saia dentro de três meses. O aeroporto será construído em uma área de 280 mil metros quadrados da Base Aérea de Santos, no distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá.

Paralelamente, a administração municipal do Guarujá também já está desenvolvendo os estudos ambientais (EIA-Rima) necessários para a construção do equipamento. “Esperamos obter a licença ambiental até o final do ano para, em seguida, lançarmos o processo licitatório de concessão junto ao mercado. Sempre quisemos a participação da iniciativa privada no projeto do aeroporto, que poderá ser privatizado ou mesmo operado por meio de parceria público-privada (PPP)”, afirmou o diretor de Desenvolvimento Aeroportuário do Guarujá, Dário Lima.

De acordo com ele, o grupo que vencer a concorrência terá de investir de R$ 85 a R$ 100 milhões para obras de infraestrutura no local, que envolvem a construção de um terminal e do pátio de aeronaves, reforma da pista de 1390 metros e a modernização dos sistemas de sinalização e de drenagem. A estimativa da prefeitura do Guarujá é que o equipamento receba – inicialmente apenas no período diurno – em torno de 20 voos diários em aeronaves de médio porte, o que corresponde a aproximadamente 500 mil passageiros por ano.

“A região apresenta uma grande demanda reprimida, já que as cidades da Baixada Santista possuem, juntas, aproximadamente 1,7 milhão de habitantes”, ressaltou Lima. O aeroporto, segundo ele, terá caráter regional e fará a ligação entre Guarujá e cidades do interior do estado de São Paulo, como Campinas e Ribeirão Preto, além de algumas capitais do País. “Praticamente todas as empresas aéreas brasileiras com foco na aviação regional já demonstraram interesse em operar linhas no novo aeroporto”, afirmou Lima, sem, no entanto, nomeá-las.

A expectativa da prefeitura do Guarujá é de que o equipamento seja utilizado, em sua maioria, por turistas e veranistas que chegam para aproveitar as praias da região, principalmente na alta temporada. Ainda há o público que precisa se deslocar para as cidades próximas para a realização de negócios, conferências e outros eventos, além dos funcionários do complexo industrial da Baixada Santista e do Porto de Santos. A região também tem observado um incremento das atividades relacionadas ao desenvolvimento do pré-sal da Bacia de Santos.

OTIMISMO

As entidades representativas do comércio, da indústria e do segmento de serviços do Guarujá estão otimistas com a implantação do aeroporto e, consequentemente, com as perspectivas de crescimento para a cidade. Na opinião do presidente da Associação Comercial e Empresarial do Guarujá (Aceg), Rogério Sachs, o aumento esperado no número de turistas beneficiará tanto o comércio em geral, quanto os restaurantes, hotéis e prestadores de serviços do município. “Esse crescimento, no entanto, deve ser acompanhado de investimentos em infraestrutura na cidade”, advertiu.

Para que os visitantes sejam bem atendidos e retornem posteriormente à região, um dos maiores desafios, de acordo com o dirigente, será melhorar a capacitação da mão de obra dos trabalhadores que atuam no comércio e no segmento de serviços. Nesse sentido, lembrou Sachs, a Aceg já promove cursos de qualificação profissional e palestras em parceria com o Sebrae, entre outras iniciativas. Segundo a presidente do Guarujá Convention & Visitors Bureau, Maria Laudenir de Oliveira, outro desafio dos empreendedores da cidade é fazer com que os turistas visitem Guarujá fora da alta temporada.

“A facilidade de deslocamento proporcionada pelo aeroporto e pelo túnel submarino que ligará Guarujá a Santos certamente ajudará a ficarmos menos dependente da sazonalidade. O aeroporto, quando pronto, impulsionará o crescimento econômico da cidade e será uma interessante opção a Cumbica e Congonhas”, disse. “Da mesma forma, seria importante termos um centro de convenções no município, já que esses eventos garantiriam uma movimentação econômica no Guarujá o ano todo”, concluiu Maria Laudenir.

Fonte: Diário do Comércio

16/02/2014

Foto: Diário do Comércio / Divulgação

 

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